terça-feira, 4 de setembro de 2007

A SEDE ANARCOPUNK


A sede anarcopunk foi cenário de vários momentos marcantes.


Passou a receber os anarcopunks do resto do país, o que contribuiu para um excelente intercâmbio de experiências.


Tiveram momentos de estresse, porque os anarcopunks não são homogéneos, há diversidade entre eles. Coisas como o uso ou não uso de knorr para temperar a soja, eram motivo de polêmicas ácidas.



Uma parte dos anarcopunks são vegetarianos naturistas, que tem uma postura de
negar o quanto mais possível a os produtos da indústria alimentícia
multinacional.

O Mestre, que tinha envolvimento com o candomblé, quando começava a viajar na ancestralidade africana, era ironizado pelos punks ateus.


Certa vez, o Mestre pintou um painel no banheiro da sede com frases que homenageavam punks falecidos. A galera ironizou: - Deus existe!!!




A VILA DE CASAS


Que tal falar sobre a sede do coletivo e sobre a vila de casa em que ela fica?


A vila de casa com dezenas de casas reunidas, parece com parede, era uma das maneiras com que a especulação imobiliária ocupava o solo urbano da periferia da cidade.


Casas apertadas, sem quintal e sem jardim, de apenas três compartimentos, que reuniam, às vezes, famílias numerosas.


Homens embrigados que passavam o domingo todo ouvindo música brega no último volume.


Televisores altos, casais discutindo, gritaria, barulho de crianças.


No início a vizinhanças estranhou a presença dos anarcopunks. Mas depois o pessoal se acostumou com os cabelos espetados e as roupas rasgadas da galera.


Os vizinhos são pobres e solidários. Às vezes emprestam óleo para fazer refeição, café, etc.


A sede anarcopunk é uma das casas da vila. Pequena como as demais, um aluguel relativamente caro para a militância pequena(50 dólares), possui uma sala de reuniões, em que fica o aparelho de som onde toca hardcore e outros sons afins; um quarto de hospedagem em que ficam os arquivos, a biblioteca, a serigrafia; uma cozinha sem geladeira e um fogão duas bocas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

GRUPO DE ESTUDOS


Carlos chega na reunião do coletivo anarcopunk como sempre atrasado.

- E aí galera, qual é o rolê da vez?

- Estamos discutindo a temática do encontro nacional do final do ano.

- A gente tá lendo um texto sobre a introdução ao anarquismo.

Carlos pergunta: - Tem xerox? quanto é?

A galera responde: -por enquanto não. Vai ser no gogó.

Carlos diz: - vixe! Mô chato.

Não era a primeira vez que o grupo de estudos funcionava daquela maneira precária sem cópias para todos. O caixa do coletivo tinha quase sempre pouca grana, como é de praxe a um coletivo anarquista latino-americano, africano ou do Timor-leste.


A coisa toda só não ficou pior, porque o Mestre usando de sua experiência de professor ficava pontuando a leitura através de esquemas na lousa.


Depois de terminada a interessante discussão, quando o clima de dispersão denunciou que estava ficando tarde e muitos tinham passado o dia todo trabalhando em subempregos. surgiu a questão do que fazer no dia da independência nacional daquele país.


Dênis Pimentinha ponderou que como estava muito em cima da data ficaria difícil fazer alguma ação de protesto consistente, como passar nas escolas públicas de sala em sala, denunciando o patriotismo e o militarismo como estímulos à guerra e a violência entre os povos, no lugar de um espetacular confronto com a polícia.


Já Carlos opinou, por sua vez, que preferia um confronto com a polícia, que achava mais didático e direto do que tá perdendo tempo, propaganda pelo ato e outros papos.


Ficou definido então pra se decidir algo em torno disso na sexta-feira(dois dias depois) quando haveria mais quorum.

PANORAMA DA HISTÓRIA


A estória começa num tempo não muito preciso entre 1996 e 2006, mas pode dar saltos para frente e recuos extemporâneos.


Vou relatar a trajetória de um grupo de jovens contestadores do sistema, de inspiração anarquista.


O protagonista dessa história, se é que pode haver um protagonismo qualquer entre anarquistas, é um jovem artesão, serígrafo, tatuador e desenhista, chamado Carlos.


Outros espécimes paralelos dessa história: Filipus, GG, Formiguinha, Índia Tainá, Dênis Pimentinha, Negão, Zizi, sua irmã Didi, Michelus, e um, sarcasticamente chamado, Mestre. Contudo, outros personagens aparecerão conforme for me lembrando deles ou eles se fazerem importantes.


O espaço dessa história é alguma metrópole de mediana importância do terceiro mundo, já que se passasse no primeiro mundo a intensidade dos dramas descritos e narrados seria de outra natureza.

PRÓLOGO


Resolvi escrever um romance. Não é a primeira tentativa, já o fiz outras vezes. Desisti por falta de tempo, computador, maturidade, editora, público leitor.


Agora tenho tempo de sobra pois estou desempregado. Não tenho computador, mas há lan houses no meu bairro. Não sou tão maduro quanto deveria ou queria, mas já li tanta coisa...


Posso publicá-lo em algum site de e-books e o público leitor será o público da web.


Vou me apresentar. Sou um polígrafo: escrevo contos, poemas, artigos, resenhas críticas, traduções e agora este romance que lhe apresento.


Pra sobreviver já dei aulas de português de vez em quando. O magistério me desgasta, o caminho solitário da literatura me é mais agradável.


O meu romance precisa ter um enredo, embora toda uma vida dedicada a crítica me conduza naturalmente a fazer metaficção, assim, pretendo na medida do possível insinuar uma história qualquer, com um punhado de personagens mais ou menos interessantes, jogados em cenários decadentes ou vistosos.


Conto com sua colaboração, caro leitor. Não o conheço, mas fazendo um pouco de sociologia da literatura, já devo imaginá-lo branco, classe média, letrado, com poder aquisitivo pra comprar livros.


Deves estranhar a quantidade de papo furado com que esse romance começa sem, no entanto, ir logo ao assunto: a estória propriamente dita.


Esse circunlóquio machadiano a Sterne deve cansar um pouco.